O essencial

Dor e queimação nem sempre exigem endoscopia. A decisão depende dos sintomas, da sua história e da presença de sinais de alerta.

Dor, azia e gastrite são a mesma coisa?

Não. Dispepsia é o nome dado a sintomas como dor ou queimação na “boca do estômago”, sensação de estômago cheio e saciedade após comer pouco. Azia costuma ser a queimação atrás do peito, que pode subir em direção à garganta. [2] [3]

Gastrite é uma inflamação do estômago. Não dá para confirmar esse diagnóstico apenas pela dor: a avaliação e, em alguns casos, a endoscopia com biópsias ajudam a esclarecer a causa. [4]

Quando a endoscopia pode ajudar?

O exame costuma ser considerado quando há sinais de alerta, sintomas persistentes apesar da abordagem inicial ou fatores de risco. A idade em que a queixa começou, os medicamentos usados e o histórico familiar de câncer de estômago também pesam na decisão. [1] [3]

Em pessoas mais jovens e sem sinais de alerta, o primeiro passo pode ser investigar H. pylori por um teste não invasivo ou iniciar um tratamento orientado. Não existe uma regra de “sentiu dor, precisa de endoscopia”. [1]

Quais sinais pedem atenção?

  • Dificuldade para engolir ou sensação de alimento parado.
  • Perda de peso sem intenção.
  • Vômitos persistentes.
  • Anemia sem causa esclarecida ou sinais de sangramento.

Esses achados precisam de avaliação médica. Não significam, por si só, que exista câncer. [2] [3]

Procure atendimento de urgência se vomitar sangue, tiver fezes negras como piche, dor abdominal forte e persistente ou dor no peito, sobretudo com falta de ar. Não espere uma endoscopia eletiva. [2] [8]

O que o exame e a biópsia mostram?

A endoscopia permite observar o esôfago, o estômago e o início do intestino delgado. Pode identificar inflamações, úlceras, estreitamentos e outras alterações. [5] [8]

Durante o exame, o médico pode colher pequenos fragmentos para análise. Biópsia não é sinônimo de suspeita de câncer: também ajuda a investigar inflamações e a bactéria H. pylori. O resultado pode ficar pronto depois do laudo da endoscopia; ambos devem ser avaliados. [4] [8]

Se houver H. pylori, é preciso planejar o tratamento e depois confirmar sua eliminação. Melhorar da dor não comprova a cura. [6]

E se a endoscopia vier normal?

Um exame normal é uma informação útil, mas não invalida o que você sente. Algumas pessoas têm dispepsia funcional: sintomas reais sem uma lesão que os explique na endoscopia. O refluxo também pode ocorrer sem alterações visíveis. [3] [7]

O próximo passo depende do conjunto da avaliação. Pode envolver ajustar o tratamento ou, em situações específicas, investigar outras causas. Repetir o exame automaticamente nem sempre ajuda.

Como se preparar para a consulta e o exame?

Leve exames anteriores e uma lista dos medicamentos, incluindo anti-inflamatórios e remédios para o estômago. Anote quando a dor começou, onde aparece e se tem relação com as refeições. Essas informações ajudam a escolher a investigação.

Se a endoscopia for indicada, siga as orientações do serviço sobre jejum e medicamentos. Não suspenda remédios por conta própria. Quando houver sedação, organize um acompanhante e não dirija depois do exame pelo período orientado. [8]

A endoscopia costuma ser segura, mas pode causar complicações, como reações à sedação, sangramento ou perfuração. A equipe deve explicar os benefícios, os riscos e os cuidados após o procedimento. [8]

ATENDIMENTO EM FORMIGA

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Referências

  1. Moayyedi P, Lacy BE, Andrews CN, et al. ACG and CAG Clinical Guideline: Management of Dyspepsia. American Journal of Gastroenterology. 2017; 112(7):988–1013. DOI: 10.1038/ajg.2017.154. Consultar fonteDiretriz clínica
  2. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Symptoms & Causes of Indigestion. NIH / NIDDK. 2025; Revisão informada: março de 2025. Consultar fonteInformação institucional para pacientes
  3. Katz PO, Dunbar KB, Schnoll-Sussman FH, et al. ACG Clinical Guideline: Guidelines for the Diagnosis and Management of Gastroesophageal Reflux Disease. American Journal of Gastroenterology. 2022; 117(1):27–56. DOI: 10.14309/ajg.0000000000001538. Consultar fonteDiretriz clínica
  4. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Diagnosis of Gastritis & Gastropathy. NIH / NIDDK. 2019; Revisão informada: agosto de 2019. Consultar fonteInformação institucional para pacientes
  5. Balzora SM; American College of Gastroenterology. Upper GI Endoscopy (EGD). American College of Gastroenterology. 2018; Publicação informada: setembro de 2018. Consultar fonteInformação de sociedade médica para pacientes
  6. Chey WD, Howden CW, Moss SF, et al. ACG Clinical Guideline: Treatment of Helicobacter pylori Infection. American Journal of Gastroenterology. 2024; 119(9):1730–1753. DOI: 10.14309/ajg.0000000000002968. Consultar fonteDiretriz clínica
  7. Black CJ, Paine PA, Agrawal A, et al. British Society of Gastroenterology guidelines on the management of functional dyspepsia. Gut. 2022; 71(9):1697–1723. DOI: 10.1136/gutjnl-2022-327737. Consultar fonteDiretriz clínica
  8. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Upper GI Endoscopy. NIH / NIDDK. 2023; Revisão informada: outubro de 2023. Consultar fonteInformação institucional para pacientes